O áudio de 45 segundos em que Flávio Bolsonaro cobra Daniel Vorcaro pelos pagamentos do filme "Dark Horse" sacudiu a política brasileira. Mas há um detalhe técnico que está sendo solenemente ignorado pela cobertura da grande imprensa — e que pode ser o verdadeiro escândalo por trás do escândalo:
Como audio e mensagens foram vazados? A ausência de uma resposta faz com que integrantes da direita ligada a Bolsonaro já comecem com acusações de vazamento criminoso, com mídia obtida por meio do uso de hackers.
Afinal, a Polícia Federal apreendeu 7 celulares de Daniel Vorcaro em duas fases da Operação Compliance Zero (novembro de 2025 e março de 2026). A extração dos dados foi feita com software israelense, já que parte do conteúdo havia sido deletado pelo banqueiro.
Além disso, há de se destacar também que a atuação de hackers nessa investigação já foi citada algumas vezes. A própria PF divulgou que a operação desta quinta-feira (14), que levou o pai de Daniel Vorcaro (Henrique Vorcaro) para a prisão, foi consequência da atuação dele no grupo "A Turma" e "Os Meninos", composto por hackers a mando da família.
De qualquer forma, o ministro André Mendonça marcou, para esta sexta-feira (15), uma reunião de "alinhamento" com a equipe da PF responsável pela Operação Compliance Zero. A pergunta que deveria nortear essa reunião é simples:
Se a PF controlava o material, como ele chegou ao Intercept? Se não controlava, quem mais teve acesso? E se foi obtido por meios ilegais, por que não se investiga a obtenção com o mesmo rigor com que se investiga o conteúdo? A resposta a essa pergunta pode revelar algo muito mais grave do que um senador pedindo patrocínio para um filme.
De qualquer forma, é sempre bom lembrar: O Intercept Brasil não revelou publicamente como obteve o material, amparando-se no sigilo de fonte jornalística. Não há, até o momento, confirmação oficial de que o material tenha sido obtido por meios ilegais. Divulgar informações sigilosas não é crime, mas repassar informações sigilos pode ser.