No interior do Rio Grande do Norte, quando chove forte, os cururus saem dos buracos. Em Natal, a chuva torrencial faz aparecer a patricinha bolivariana Natália Bonavides e o deputado Fernando Mineiro.
O fenômeno é simples de explicar. Na seca política, quando a cidade precisa de investimento, de obra, de infraestrutura, de recurso federal chegando para resolver o problema do natalense, os dois somem. Mas quando as câmeras aparecem, quando tem palanque molhado, quando a chuva abre espaço para nota de repúdio e discurso de solidariedade, a dupla está presente, fardada e com microfone na mão.
Os números não mentem. Natália Bonavides e Fernando Mineiro somam juntos mais de R$ 150 milhões em emendas parlamentares por ano. Natal é o principal colégio eleitoral dos dois. É aqui que eles se elegem, é aqui que constroem a base, é aqui que buscam o voto.
E a cidade que os elege recebe zero em infraestrutura urbana vinda dos seus mandatos. Zero em pavimentação. Zero em drenagem. Zero em obra que resolva exatamente o tipo de problema que a chuva expõe toda vez que o céu abre em Natal.
Quando parar de chover, a dupla some de novo. E Natal volta a afundar, literalmente, na mesma estrutura de sempre.
O eleitor de Natal tem memória. Outubro está chegando e a conta está aberta.