A pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entrou em zona de turbulência após a revelação de mensagens que comprovam uma relação íntima com o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
Segundo o colunista Thomas Traumann, o futuro político do senador está diretamente atrelado ao conteúdo da delação premiada que Vorcaro negocia com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. Os anexos da proposta de colaboração, entregues às autoridades no início de maio, podem conter informações que ampliem o escândalo envolvendo o repasse de R$ 61 milhões para o filme "Dark Horse", biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O cenário é de apreensão entre aliados do bolsonarismo. Lideranças do PL avaliam que o pedido de financiamento para o filme, revelado pelo site The Intercept Brasil, pode até ser contornado, mas temem que novos diálogos surjam apontando contrapartidas políticas oferecidas por Flávio ao banqueiro. A crise já contamina palanques estaduais em Santa Catarina, Minas Gerais, São Paulo e no Nordeste, onde aliados tentam se descolar da imagem do senador para preservar suas próprias campanhas.
A análise de Traumann é direta: caso Vorcaro apresente uma versão diferente da sustentada por Flávio sobre os motivos dos repasses financeiros, a candidatura presidencial do senador entra definitivamente na zona de risco. O desfecho da delação, que será homologada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF, pode redesenhar o tabuleiro eleitoral de 2026 e fortalecer nomes alternativos dentro da direita, como o da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.