A equipe econômica do governo federal atualizou suas projeções macroeconômicas e passou a admitir que a inflação pode atingir 4,5% em 2026, exatamente no limite superior da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. A revisão é significativa: em fevereiro, o Ministério da Fazenda estimava o IPCA em 3,6% para o ano. A piora no cenário inflacionário é atribuída à guerra no Oriente Médio, que pressiona os preços de combustíveis e commodities, além de choques nos preços de alimentos e na cadeia global de suprimentos.
Apesar da revisão da inflação, o governo manteve a projeção de crescimento de 2,3% do Produto Interno Bruto, sustentada pela expectativa de expansão nos setores de indústria e serviços. O mercado financeiro, contudo, é mais pessimista: o Boletim Focus mais recente projeta o IPCA em 4,91% — acima do teto da meta — e o PIB em apenas 1,85%. A divergência entre governo e mercado reforça o debate sobre o impacto das medidas de estímulo ao crédito lançadas em ano eleitoral sobre a trajetória dos juros.
O próprio Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central já elevou sua projeção de inflação para 4,6% neste ano e reduziu a taxa Selic de 14,75% para 14,50%, sinalizando cautela. A admissão do governo de que a inflação pode bater o teto da meta coloca em xeque a narrativa de que o ciclo de desinflação estaria consolidado e alimenta críticas de economistas que veem nas "bondades" do Executivo um risco à estabilidade fiscal.