O Supremo Tribunal Federal atingiu 40% de reprovação na mais recente pesquisa Datafolha, mantendo-se no pior patamar da série histórica do instituto. A avaliação negativa da Corte vem se consolidando em meio a decisões polêmicas, embates públicos com o Congresso Nacional e a percepção popular de que o tribunal extrapola suas funções constitucionais. A aprovação do STF permanece em patamares baixos, refletindo um descontentamento transversal que atinge eleitores de diferentes espectros ideológicos.
O resultado se soma a um ambiente de tensão institucional crescente. A rejeição da indicação de Jorge Messias pelo Senado, a disputa em torno da dosimetria e os conflitos entre ministros da Corte e parlamentares alimentaram a percepção de crise entre os Poderes. A pesquisa Datafolha mostra que o Judiciário não está imune ao desgaste que atinge também o Executivo e o Legislativo — os dois últimos com avaliações igualmente negativas, como aponta o dado de que 70% veem confronto entre governo e Congresso.
O cenário é delicado para o STF em ano eleitoral: a alta reprovação pode servir de combustível para candidatos que pautam suas campanhas na crítica ao "ativismo judicial" e alimentar propostas legislativas de limitação de poderes da Corte. Analistas avaliam que a recuperação da imagem do Supremo depende de uma postura de maior contenção institucional e transparência, especialmente em temas que dividem profundamente a opinião pública brasileira.