O Grupo Prerrogativas, de juristas e advogados, e o pré-candidato a deputado federal Rogério Correia (PT-MS) acionaram o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para impedir a exibição do filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), até as eleições. Na petição, acusam o longa de ser uma propaganda eleitoral "antecipada" e "dissimulada", além de praticar possíveis abusos econômicos, usar meios de comunicação indevidamente e ter um financiamento paralelo.
A notícia é da CNN Brasil. Com o lançamento de "Dark Horse" previsto para setembro deste ano — ou seja, há poucas semanas do primeiro turno eleitoral —, o grupo e o pré-candidato entendem que há "potencial de interferência direta no debate nacional, na formação da vontade do eleitorado e na igualdade de oportunidades entre os atores políticos em disputa".
O ofício ainda pede investigação financeira do longa após o site The Intercept Brasil publicar áudio de uma conversa entre o pré-candidato ao Palácio do Planalto Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no escândalo do Banco Master.
Nas gravações, o senador negociava um repasse de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões) entre o senador e o dono da instituição financeira. Documentos mostram que pelo menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, foram pagos entre fevereiro e maio de 2025 em seis transferências bancárias para financiar o projeto.
"O valor noticiado supera em muito a escala ordinária de uma produção cultural politicamente neutra. A magnitude financeira, combinada com o conteúdo biográfico-político da obra e com o calendário de lançamento próximo à eleição presidencial, aproxima o caso de uma operação de comunicação política de massa", diz trecho do documento.
Por fim, os petistas pedem que o TSE reconheça uma propaganda eleitoral dissimulada e antecipada, abuso de poder econômico, uso indevido de meios de comunicação social, financiamento eleitoral paralelo, caixa 2 eleitoral, doação empresarial indireta ou demais ilícitos eleitorais.
O ofício também aciona outras autoridades, como a PGR (Procuradoria-Geral da República), a PF (Polícia Federal) e o Ministério da Justiça, "para apuração de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, ocultação de beneficiário final, fraude cambial, falsidade documental, crimes contra o sistema financeiro nacional, organização criminosa e demais ilícitos conexos".