O governo Lula jogou R$ 2,3 bilhões em emendas parlamentares nas duas semanas que antecederam a votação de Jorge Messias ao STF. O resultado? 42 votos contrários e 34 a favor. A maior derrota de uma indicação ao Supremo em mais de 130 anos não foi por falta de dinheiro público na mesa.
Levantamento do O Globo mostra que a verba empenhada entre 10 de abril, um dia após a sabatina de Messias ser marcada, e a quarta-feira da votação contemplou senadores de todos os espectros. O relator da indicação na CCJ, Weverton Rocha (PDT-MA), recebeu R$ 58,2 milhões em emendas individuais. Cid Gomes (PSB-CE), que prometia apoio e simplesmente não apareceu para votar, teve R$ 54,1 milhões empenhados no período.
Até senadores da oposição que já haviam declarado voto contrário, como Wellington Fagundes (PL-MT) e Marcos do Val (Avante-ES), figuram entre os dez mais beneficiados.
O volume é incomparável com anos anteriores: em abril de 2023, o governo empenhou R$ 7,9 milhões em emendas ao Senado. Em 2026, o número saltou para R$ 2,3 bilhões. A diferença entre comprar apoio e comprá-lo de fato ficou exposta pelo voto secreto: como não é possível saber quem votou o quê, senadores embolsaram as emendas e votaram contra sem qualquer consequência.