A derrota de Jorge Messias no Senado pode ter fechado a porta do Supremo, mas abriu outra que, politicamente, pode ser ainda mais poderosa. Conforme apuração da CNN Brasil, do blog de Andréia Sadi no G1 e de veículos como o Jornal Passaporte e o portal Bahia.ba, o presidente Lula avalia nomear o advogado-geral da União para o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a pasta que controla a Polícia Federal.
A movimentação, se confirmada, seria mais do que um "prêmio de consolação". Seria um xeque no tabuleiro do caso Banco Master.
É o que destaca Andréia Sadi: com Messias no Ministério da Justiça, ele teria a PF sob seu comando num momento em que avançam as investigações do caso Master, com potencial de atingir lideranças do Centrão e figuras que articularam contra sua indicação ao STF. No Supremo, o caso está sob a relatoria de André Mendonça, maior aliado de Messias na Corte. A combinação Messias na Justiça e Mendonça no STF criaria um eixo de poder sobre as duas frentes mais sensíveis do escândalo.
A colunista do G1 aponta ainda uma frente específica: uma das investigações da PF trata de aportes de R$ 400 milhões do Instituto de Previdência do Amapá (Amprev) no Banco Master. O então presidente do Amprev, Jocildo Silva Lemos, é aliado de Davi Alcolumbre, o mesmo presidente do Senado acusado de articular a derrota de Messias. A ironia seria cirúrgica: o homem que foi derrubado por Alcolumbre passaria a comandar a investigação que pode atingi-lo.
A pasta é atualmente chefiada por Wellington César Lima e Silva, que assumiu em janeiro e é apadrinhado de Jaques Wagner (PT-BA). Como a colunista Mônica Bergamo, da Folha, já havia revelado, aliados de Lula defendem a saída de Wellington como resposta ao fiasco da votação de Messias, atribuindo parte da responsabilidade a Wagner.
Segundo a CNN Brasil, a avaliação dentro do Planalto é que a nomeação fortaleceria Messias, blindaria sua imagem pública e o manteria em evidência para uma eventual nova indicação ao STF no futuro. Após a rejeição, Messias chegou a dizer a interlocutores que avaliava pedir demissão da AGU por não ver ambiente para continuar no cargo, que exige interlocução direta com ministros do STF e senadores, incluindo aqueles que operaram contra ele. A ida ao Ministério da Justiça resolveria esse impasse: ele deixaria um cargo de articulação institucional para assumir um de poder executivo direto.
O governo ainda não confirmou oficialmente a mudança. Mas o recado já está dado: Lula não pretende deixar Messias no limbo político. A questão agora é se o movimento será lido como reconhecimento de um aliado fiel ou como uma declaração de guerra a quem cruzou o caminho do presidente.
Com informações de Andréia Sadi (G1), CNN Brasil, Jornal Passaporte e portal Bahia.ba.