O ministro Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), declarou que o principal desafio da corte é combater as mentiras otimizadas tecnologicamente. O magistrado destacou o uso da inteligência artificial como uma ameaça direta à integridade dos processos eleitorais. A preocupação institucional foca na sofisticação das ferramentas digitais de desinformação.
Por outro lado, analistas e críticos contestam o impacto real das chamadas fake news no comportamento do eleitorado. Argumenta-se que raramente um cidadão muda o voto motivado apenas por conteúdos falsos na internet. Para esse setor, o foco excessivo na tecnologia desvia a atenção de problemas mais tradicionais e profundos da política nacional.
A crítica central aponta que o verdadeiro estelionato eleitoral decorre de promessas socioeconômicas não cumpridas por governantes. Cita-se, por exemplo, o discurso histórico de erradicação da pobreza em contraste com o atual endividamento da população. Discursos populistas sem fundamentação técnica seriam, portanto, mais prejudiciais que as mentiras digitais.
Diante do cenário de descumprimento de propostas, surge a defesa de mecanismos mais rígidos de responsabilização dos candidatos. Uma das alternativas propostas é a criação de uma espécie de Código de Defesa do Eleitor, inspirado na legislação do consumidor. A medida visaria punir a mentira institucionalizada e garantir maior transparência na República.