O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), usou a tribuna do Congresso Nacional nesta quarta-feira (21) para fazer uma defesa aberta do pré-candidato, rebater as acusações envolvendo o financiamento do filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro e atacar o que chamou de "duas réguas" aplicadas pelo governo e pela imprensa ao tratar o caso. O pronunciamento ocorre mais de uma semana após o site Intercept Brasil revelar que Flávio negociou um aporte de R$ 134 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para custear a produção "Dark Horse".
Marinho argumentou que o caso envolve exclusivamente uma relação entre privados, sem dinheiro público, sem ato de ofício como contrapartida e sem qualquer prestação de serviço em troca. "Nós estamos diante de uma relação clara entre privados, onde não há dinheiro público envolvido, onde há um contrato de confidencialidade, onde os recursos que foram alocados para se fazer um filme serão trazidos à luz do dia", declarou. O senador acrescentou que Flávio Bolsonaro tornará públicos todos os dados do financiamento em até 30 dias, por meio de um fundo específico criado para a produção.
Na sequência, o senador direcionou o discurso para o que descreveu como uma "corrupção institucionalizada" no governo Lula, traçando um paralelo direto com o caso Banco Master. "Do outro lado nós vemos a corrupção institucionalizada, advocacia administrativa, o tráfico de influência, o pagamento a agentes políticos", afirmou, acusando o presidente Lula de ter recebido o banqueiro Daniel Vorcaro fora da agenda oficial e de tê-lo transformado em "coach" e "orientador" de decisões de governo.
Marinho também atacou a base governista no Congresso, acusando-a de obstruir investigações. Segundo o senador, o PT "não assinou a CPI do INSS, não assinou a CPI do crime organizado", cedeu apenas sob pressão pública no caso do Banco Master e "se articulou para impedir oitivas de acusados e votou contra a quebra de sigilos bancários de claros indiciados em crimes de corrupção". "PT e corrupção são primos e irmãos, são a mesma face ou duas faces da mesma moeda", declarou.
O senador classificou os ataques a Flávio como parte de uma "máquina de destruição de reputação" movida pelo governo e seus aliados em ano pré-eleitoral. "As eleições estão se aproximando e a máquina de destruição de reputação está a todo vapor", disse, pedindo à população que "faça a comparação, estabeleça o seu juízo de valor" entre os dois lados. "Eu não tenho dúvida de que a verdade vai prevalecer, que a mentira será colocada por terra, porque a população brasileira fortaleceu-se", afirmou.
O caso do filme "Dark Horse" veio à tona em 13 de maio, quando o Intercept publicou áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro em que o senador cobrava pagamentos de Vorcaro. Flávio confirmou as negociações, mas negou irregularidades, afirmando que buscou "patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai", sem uso de dinheiro público ou Lei Rouanet. Marinho, na condição de coordenador de campanha, chegou a procurar o ministro do STF André Mendonça, relator do caso Master, para pedir apuração do que classificou como "vazamento seletivo" das conversas.