A ostentação exibida diariamente por Deolane Bezerra nas redes sociais saiu do campo da polêmica digital e virou evidência na investigação da Operação Vérnix. A Polícia Civil apontou que a influenciadora acumula mais de R$ 65 milhões em imóveis e um padrão de vida considerado "flagrantemente incompatível" com a renda declarada por ela e suas empresas. Carros de luxo, viagens internacionais e residências em condomínios de alto padrão compõem o cenário que, para os investigadores, ajudou a mascarar a origem de recursos ilícitos.
Deolane, de 38 anos, estava na Itália quando teve a prisão decretada e chegou a ser incluída na lista de difusão vermelha da Interpol. Ela retornou ao Brasil na quarta-feira (20), um dia antes de ser presa em sua casa no condomínio Tamboré, em Barueri. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em suas contas e a apreensão de 39 veículos vinculados ao esquema investigado.
A BBC apurou que Deolane construiu seu império de influência digital a partir de 2021, após a morte do então companheiro, o cantor MC Kevin. Com 21 milhões de seguidores no Instagram, participações em reality shows e contratos publicitários, ela se tornou uma das figuras mais conhecidas do entretenimento digital brasileiro. Segundo os investigadores, porém, a fama funcionava como fachada perfeita para integrar valores da facção ao sistema financeiro formal.
O procurador-geral de Justiça de São Paulo reforçou que a operação serve de alerta para figuras públicas que emprestam sua imagem e credibilidade ao crime organizado. A defesa da influenciadora nega qualquer envolvimento com atividades ilícitas e afirma que se manifestará de forma detalhada após análise completa dos autos.