A influenciadora e advogada Deolane Bezerra, presa na quinta-feira (21) por suspeita de lavar dinheiro para o PCC, declarou à Receita Federal apenas R$ 577 mil dos R$ 7,6 milhões que recebeu em contas correntes entre 2018 e 2022. O valor declarado corresponde a 7,5% do total movimentado, segundo o relatório final do inquérito da Polícia Civil de São Paulo.
A investigação identificou o que chamou de "complexa engrenagem financeira estruturada em torno de Deolane Bezerra". A decisão que decretou sua prisão preventiva cita um padrão de vida "desproporcional a qualquer fonte de renda lícita apurada". A polícia rastreou 742 transferências bancárias não identificadas no valor total de R$ 1 milhão.
O Jornal Nacional teve acesso a mais de 2,6 mil páginas do inquérito, que apura o envolvimento de Deolane e outras 22 pessoas físicas e jurídicas com o esquema de lavagem. Segundo a polícia, empresas de Deolane e parentes de Marcola usavam os mesmos intermediários para dar aparência legal a recursos ilícitos. O total movimentado no esquema seria de R$ 70 milhões.
A Operação Vérnix determinou o bloqueio de mais de R$ 357 milhões em bens, a apreensão de 17 veículos de luxo e o sequestro de 4 imóveis. Deolane, que acumula 21,6 milhões de seguidores no Instagram, foi levada à Penitenciária Feminina de Santana. A defesa reafirma sua inocência.