O governo federal anunciou nesta sexta-feira (22) um novo bloqueio de R$ 22,1 bilhões no Orçamento de 2026. Somado ao congelamento de R$ 1,6 bilhão feito em março, a contenção total chega a R$ 23,7 bilhões, o maior travamento de recursos do governo Lula. A informação foi antecipada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que afirmou que o governo vai "cortar na própria carne".
O bloqueio foi provocado pelo crescimento de despesas obrigatórias: o BPC subiu R$ 14,1 bilhões nas projeções, os benefícios previdenciários do INSS cresceram R$ 11,5 bilhões e demais despesas avançaram R$ 300 milhões. Uma economia de R$ 3,8 bilhões em Pessoal e Encargos Sociais reduziu a necessidade de corte para R$ 22,1 bilhões.
A tesoura recai sobre as despesas discricionárias dos ministérios, atingindo investimentos em infraestrutura e obras do Novo PAC, custeio da máquina pública e emendas parlamentares. Cerca de 20% do bloqueio deve atingir emendas. O detalhamento por ministério só será divulgado no fim de maio.
O governo projeta superávit primário de R$ 4,1 bilhões para 2026, distante da meta central de R$ 34,3 bilhões, mas dentro do limite inferior de déficit zero. A projeção de receitas aumentou R$ 4,4 bilhões, puxada pelo petróleo, mas o arcabouço fiscal impede o uso livre desses recursos.