O cenário político nacional e do Rio Grande do Norte registou o início antecipado do clima eleitoral, com debates intensos desde janeiro. Eventos e polémicas que normalmente surgiriam apenas no período de campanha oficial começaram a eclodir nos primeiros meses do ano. Casos ocorridos em janeiro, assim como a crise de Flávio Bolsonaro em maio, testam a capacidade de resistência dos candidatos até a votação em outubro.
Os desdobramentos dessas crises são apontados como elementos essenciais para moldar a perceção do eleitorado a longo prazo. No entanto, a manutenção de percentuais estáveis por parte do parlamentar diante dos recentes escândalos indica uma consolidação do voto antipetista. Esse comportamento reflete o nível acentuado de polarização em que se encontra o eleitorado no país.
Esse ambiente de extrema polarização demonstra que os principais grupos políticos tendem a relevar as falhas dos seus líderes. Da mesma forma que os apoiantes do petismo relevam o histórico associado a Lula, os eleitores de direita e do bolsonarismo dão sinais de que manterão o apoio a Flávio Bolsonaro independentemente das polémicas que o envolvam.
Apesar de a polarização ser vista como um processo natural e interessante dentro das democracias, analistas defendem que ela deveria ocorrer com maior consciência crítica. Diante disso, avalia-se que a substituição do nome de Flávio Bolsonaro por outra alternativa poderia ser uma estratégia altamente eficaz para a direita.
Essa mudança estratégica teria como principal objetivo enfraquecer o PT e afastar o partido do poder por um longo período. A escolha de um novo candidato viabilizaria um projeto político capaz de neutralizar a atual geração de governantes da esquerda, impedindo o seu retorno ao comando do país pelos próximos 16 a 20 anos.