O Procon-SP registrou um salto de 220% nas reclamações ligadas ao álbum e às figurinhas da Copa do Mundo de 2026. As queixas sobre esses itens saltaram de 34 em abril para 109 em maio. O problema vai além dos colecionáveis: desde março, o órgão acumulou 238 ocorrências envolvendo produtos, ofertas e serviços relacionados ao Mundial, passando de 19 registros em março para 156 somente neste mês.
O principal motivo de dor de cabeça é a não entrega ou atraso dos produtos, com 115 reclamações. Em seguida aparecem ofertas não cumpridas ou vendas enganosas (34 queixas) e produtos entregues incompletos ou diferentes do pedido (24 ocorrências). No Reclame Aqui, o cenário é ainda mais expressivo: foram 2,4 mil reclamações entre o lançamento do álbum, em 30 de abril, e 18 de maio.
O comércio de figurinhas em marketplaces, perfis de redes sociais e grupos de mensagens é o epicentro do problema. O Procon-SP alerta que consumidores compram sem verificar a confiabilidade do vendedor e acabam vítimas de golpes, produtos falsificados e anúncios enganosos. A Polícia Civil do Rio de Janeiro apreendeu 200 mil figurinhas falsas em um ônibus que seguia para a capital fluminense, evidenciando a escala do mercado ilegal que orbita o álbum.
O preço oficial agrava a situação. Completar as 980 figurinhas pode custar até R$ 7 mil sem trocas, o que empurra consumidores para alternativas mais baratas e arriscadas. Na internet, já circulam arquivos vazados com todos os cromos para impressão caseira, vendidos por R$ 30 a R$ 60. Sites oferecem o álbum completo, com figurinhas impressas em papel adesivo, por R$ 240 — o mesmo valor que a Panini cobra pelo álbum de capa dura com apenas 30 pacotes.
O Procon-SP recomenda que os consumidores adquiram produtos apenas em pontos de venda autorizados pela Panini, desconfiem de preços muito abaixo do mercado e guardem todos os comprovantes de compra. Em caso de problemas, as reclamações podem ser registradas diretamente no site do órgão.
A febre do álbum é real, mas a falta de estrutura para atender à demanda e a explosão de golpes estão transformando o que deveria ser diversão em prejuízo. Com a Copa começando em junho, a tendência é que os números continuem subindo.