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Neymar em campo pela seleção brasileira na Copa do Mundo de 2022 — Foto: Nelson Almeida / AFP
esportes

Folha diz que Neymar perdeu força com grandes anunciantes, mas os números contam outra história

A Folha de S. Paulo publicou neste domingo (25) uma reportagem afirmando que a marca Neymar atrai menos grandes anunciantes na Copa de 2026. Segundo o jornal, das 22 marcas parceiras do jogador, apenas três seriam de grandes empresas: Puma, Mercado Livre e Red Bull. A matéria ouviu especialistas em marketing que apontam as polêmicas dentro e fora de campo como fator de afastamento de anunciantes de maior porte.

É difícil levar essa narrativa a sério quando se olha o que aconteceu na prática. Menos de uma hora após a convocação, no dia 18 de maio, Neymar publicou três campanhas publicitárias no Instagram e faturou cerca de R$ 30 milhões, segundo o jornal Extra. Cada peça rendeu aproximadamente R$ 10 milhões. As ações estavam prontas antes do anúncio oficial de Ancelotti, com versões alternativas gravadas para o caso de o jogador não ser convocado. Isso não é comportamento de mercado em fuga. É planejamento de quem aposta alto.

Neymar tem 232 milhões de seguidores no Instagram, mais do que a população do Brasil. Sozinho, concentra mais da metade da audiência digital de todos os 26 convocados da seleção somados. Marcas como Puma, Red Bull, Mercado Livre, Canção e Aiwa ativaram campanhas em tempo real no momento da convocação. O Mercado Livre veiculou peça na CazéTV segundos após o anúncio. A Red Bull e a Canção publicaram vídeos com o jogador nas redes sociais no mesmo dia.

A Folha reduz o cenário ao número de grandes empresas na carteira de Neymar, mas ignora que o modelo de negócio do jogador mudou. Neymar não depende mais de contratos tradicionais com multinacionais. Opera como uma plataforma de mídia própria, monetizando diretamente sua audiência. É um modelo que dispensa a intermediação de agências e fala direto com o consumidor. Chamar isso de perda de relevância comercial é confundir mudança de estratégia com declínio.

Dizer que polêmicas afastam anunciantes é um argumento que se repete desde 2018, quando Neymar transformou um aparente desabafo pós-Copa em comercial da Gillette. De lá para cá, o jogador trocou a Nike pela Puma em um dos maiores contratos individuais do esporte, fechou com o Mercado Livre como embaixador e seguiu acumulando parcerias. Os anunciantes mudaram de perfil, mas o dinheiro não parou de entrar.

A matéria da Folha levanta uma discussão válida sobre o tipo de marca que se associa a Neymar hoje. Mas enquadrar isso como perda de poder comercial, na semana em que o jogador faturou R$ 30 milhões em 50 minutos, soa mais como tese em busca de confirmação do que como retrato fiel do mercado.

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