O presidente Lula usou o programa Sem Censura, da TV Brasil, para cobrar diretamente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre: "Coloque para votar a PEC da Segurança. Esse país vai resolver definitivamente o problema de segurança." A Proposta de Emenda à Constituição, que prevê R$ 11 bilhões em investimentos e financiamentos, a criação de uma guarda nacional profissionalizada e a ampliação do papel da União no combate às facções, foi aprovada pela Câmara, mas está parada no Senado sem data para votação.
A PEC mexe diretamente no equilíbrio de poder entre União e estados, e é aí que mora a resistência. Governadores temem perder autonomia sobre a segurança pública, hoje atribuição prioritária dos estados. Lula não disfarçou a tensão: "Os estados não dão conta de combater a criminalidade." Além disso, senadores evitam se posicionar sobre tema tão sensível em ano pré-eleitoral, e há indícios de que Alcolumbre usa a tramitação como moeda de troca para outras negociações com o Planalto.
Lula vinculou a criação do Ministério da Segurança Pública à aprovação da PEC. Sem votação, sem ministério. A estratégia coloca pressão dupla: sobre Alcolumbre, que fica como responsável pela demora, e sobre os governadores, que passam a ser retratados como obstáculo à segurança da população. É uma jogada de comunicação que transforma a paralisia legislativa em argumento político.
A segurança pública é historicamente o calcanhar de Aquiles de governos petistas. Se a PEC for aprovada antes da eleição, Lula poderá reivindicar protagonismo inédito nessa agenda. Se continuar travada, a oposição terá munição para repetir o discurso de que o PT não leva segurança a sério. O relógio corre contra Alcolumbre, que precisará decidir se atende ao presidente ou protege os governadores aliados.