A Folha revelou que o governo de Goiás, durante a gestão de Ronaldo Caiado (PSD), utilizou uma fintech sob suspeita para movimentar R$ 1,3 bilhão em recursos estaduais. A informação atinge diretamente o pré-candidato à Presidência, que se posicionou como voz da moralidade na direita ao criticar Flávio Bolsonaro pelo caso Vorcaro, com a frase de que uma "pessoa contaminada" não pode ocupar a Presidência.
Os detalhes sobre a natureza das suspeitas e o período das transações ainda estão sendo apurados. O governo de Goiás respondeu que a fintech já foi substituída por uma nova instituição financeira, mas não detalhou os motivos da troca nem explicou como R$ 1,3 bilhão transitou por uma empresa questionada sem que houvesse alertas internos. A revelação chega em momento delicado para Caiado, que tenta se consolidar como terceira via na direita.
O caso muda o cálculo político da corrida presidencial. Caiado havia se beneficiado eleitoralmente ao se distanciar de Flávio e de Vorcaro, apresentando-se como alternativa limpa. Se a fintech tiver irregularidades comprovadas, o discurso perde sustentação. A esquerda e o bolsonarismo já sinalizaram que vão explorar o episódio para neutralizar a ofensiva moral do goiano.
Para um pré-candidato que construiu sua campanha na ideia de gestão eficiente e credibilidade administrativa, a revelação de movimentações bilionárias por meio de uma empresa suspeita é o tipo de contradição que as redes sociais não perdoam. Caiado precisará dar explicações muito mais detalhadas do que a nota genérica divulgada até agora.