O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu nesta quinta-feira que PCC e Comando Vermelho "são terroristas para as comunidades brasileiras". Em discurso inflamado, afirmou que as facções "incomodam as famílias, incomodam o bairro, incomodam a cidade e roubam tudo que é direito do povo". A admissão, porém, veio acompanhada de dura crítica à decisão do governo Trump de classificar as mesmas organizações como terroristas. "Nós não aceitamos ser tratados como moleque", disparou.
Lula revelou que entregou pessoalmente a Trump, em reunião de três horas, documentos sobre combate ao crime organizado e cobrou a extradição de foragidos brasileiros nos EUA — entre eles um condenado há 16 anos e o contrabandista de combustível Cláudio Magno, que vive em Miami. "Quer combater o crime organizado? Me entregue os nossos que estão lá", desafiou.
O presidente aproveitou para cobrar o Senado pela aprovação da PEC da Segurança Pública, que criaria um ministério com orçamento próprio e uma guarda especial para enfrentar o crime organizado. "Não precisa pedir ajuda para ninguém. Aprove a PEC", disse.
A declaração expõe uma contradição: se o próprio presidente reconhece que as facções exercem terrorismo sobre a população, por que o PL 3.283/2021 — de autoria do senador Styvenson Valentim (Podemos-RN), que tipifica exatamente isso — segue engavetado na Câmara desde 2023?