Em discurso marcado por irritação e nervosismo, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, confirmou uma visão ativista que muitos magistrados já criticavam há tempos: em sua opinião, a Justiça do Trabalho seria dividida entre juízes “azuis”, aos quais se contrapõe e ofende, definindo-os como os que supostamente apenas defendem “interesses”, e juízes “vermelhos”, entre os quais ele próprio se inclui, que estariam a serviço de uma “causa”.
A declaração, na conferência de encerramento do 22º Conamat, nesta sexta-feira (1º), em Brasília, não foi um lapso. Foi uma confissão. Ao assumir publicamente a militância ideológica como critério de atuação jurisdicional, Mello Filho confirmou o que colegas definiram como “grotesco”: a substituição da imparcialidade, pilar fundamental do sistema de justiça, por um engajamento partidário disfarçado de missão social.
O momento não foi casual. O discurso veio na esteira de outras manifestações irritadas e nervosas de autoridades marcadamente esquerdistas atordoadas com duas derrotas políticas relevantes para o governo Lula (PT): a rejeição da indicação de Jorge Messias, o “Bessias”, ao STF e a derrubada do veto presidencial à Lei da Dosimetria.
DIÁRIO DO PODER