O governo Trump confirmou neste sábado, pela porta-voz do Departamento de Estado Amanda Roberson, que detectou a atuação do PCC e do Comando Vermelho em 12 estados americanos. A informação, mais do que um dado diplomático, é um tapa na cara da política de segurança brasileira: quando uma potência estrangeira mapeia nossas facções melhor do que nós, algo está profundamente errado.
Roberson foi direta ao classificar PCC e CV como "duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil", cujas redes ilícitas "se estendem muito além das fronteiras" nacionais. Traduzindo: o crime organizado que o governo Lula tratou com leniência por anos virou problema de segurança internacional. O monstro cresceu em casa e atravessou o oceano.
Quem deixou chegar a esse ponto?
A pergunta incômoda que o Planalto evita é simples: como facções nascidas em presídios brasileiros ganharam capilaridade em uma dúzia de estados americanos? A resposta passa por décadas de complacência, de discurso que romantiza o crime e de Estado ausente nos territórios dominados pelo tráfico. Não foi falta de aviso — foi falta de vontade política.
Enquanto Brasília se ocupa em fabricar bordões sobre "soberania", os Estados Unidos agem com a frieza de quem trata terrorismo como terrorismo. O contraste é cruel e revelador: lá, instrumento legal e ação concreta; aqui, retórica e improviso. A fatura desse desleixo, infelizmente, é paga pelo cidadão comum — o mesmo que convive, todos os dias, com o poder paralelo que o governo finge não enxergar.