A Polícia Legislativa do Senado abriu, em 28 de maio de 2026, um boletim de ocorrência para apurar um suposto plano de atentado contra o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O caso ganhou repercussão após declarações do funkeiro MC Misa, mas, até o momento, trata-se de uma acusação sem provas apresentadas e em fase de verificação preliminar.
O que já se sabe
A investigação foi motivada por uma entrevista do cantor Misael Rangel da Silva e Souza, o MC Misa, ao canal Frank Clips no TikTok e no YouTube, em 26 de maio. Nela, o funkeiro afirmou que a influenciadora Deolane Bezerra — presa na semana anterior sob suspeita de ligação com o PCC — teria articulado um atentado contra Flávio "com Marcelinho e com a Deolane".
Segundo Misa, a motivação seria política, ligada a uma eventual vitória de Flávio na corrida presidencial. O pedido de apuração partiu do policial legislativo Bruno Ribeiro Fonseca, com base em relatórios do setor de inteligência da própria Polícia do Senado, e tem amparo no artigo 5º, parágrafo 3º, do Código de Processo Penal. Flávio se manifestou nas redes, agradeceu a Polícia Legislativa e afirmou que não recuará diante de ameaças, comparando o risco ao atentado sofrido por seu pai em 2018.
O que falta apurar
O ponto central é a procedência da denúncia: o próprio apresentador do canal, que se identifica como "ex-PCC", fez questão de registrar que a responsabilidade pela acusação era exclusivamente do entrevistado. MC Misa não apresentou nomes, documentos ou qualquer prova. Ele citou genericamente o envolvimento de "políticos", sem identificá-los, e mencionou um suposto "Marcelinho" cuja identidade não foi esclarecida.
A investigação da Polícia do Senado é apenas uma verificação preliminar — só se houver indícios suficientes é que poderá ser instaurado um inquérito formal e outras autoridades policiais acionadas. Também permanece sem comprovação como Deolane, presa, teria capacidade operacional para articular tal plano.
A versão da defesa
A defesa de Deolane Bezerra classificou a declaração do funkeiro como "absolutamente absurda e irresponsável" e informou que analisará as medidas judiciais cabíveis. A influenciadora nega qualquer envolvimento com organizações criminosas.
Vale registrar que ela segue presa em investigação separada, conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo, sobre suposta lavagem de dinheiro para o PCC — caso distinto da acusação de atentado, ainda que frequentemente mencionados em conjunto.