O PL protocolou pedido de intervenção no STF acusando o governo de manipular e omitir dados oficiais. A denúncia, ainda que dentro do jogo político, toca numa ferida real: a credibilidade das estatísticas que sustentam o discurso oficial de bons resultados.
Não é a primeira vez que se questiona a transparência dos números do Planalto. Quando um governo controla a fonte dos dados e, simultaneamente, depende deles para se promover, o conflito de interesses é estrutural. A desconfiança da oposição, nesse contexto, tem fundamento.
Transparência não é favor, é dever
O ponto central é que dados públicos pertencem à sociedade, não ao governo de plantão. Selecionar o que se divulga, atrasar o que incomoda e destacar apenas o que favorece é uma forma sutil — e perigosa — de propaganda travestida de informação.
Recorrer ao STF pode soar como mais um lance do tabuleiro eleitoral, e em parte é. Mas a exigência de fundo é legítima e deveria ser bandeira de qualquer democrata: que os números do Estado sejam auditáveis, completos e honestos. Sem isso, o debate público vira ficção patrocinada.