Virou rotina no Brasil: criticou, processou. Hoje, qualquer palavra atravessada contra autoridade vira “ataque à honra” e acaba no Judiciário. Ministros do Supremo Tribunal Federal, políticos e até candidatos à Presidência passaram a tratar crítica como crime, e isso diz muito mais sobre quem reage do que sobre quem fala.
Existe uma diferença básica que parece ter sido esquecida: crítica não é calúnia. Opinião não é difamação. Nem todo ataque merece indenização. Antigamente, se discutia até a ideia de dar um “preço à dor”, como defendia Moreira Alves. Mas colocar valor na honra é, no mínimo, estranho. Honra não é mercadoria. Não se mede em dinheiro.
O que está acontecendo hoje tem outro nome: uso do poder para intimidar. Quando autoridade corre para a Justiça por qualquer crítica, o recado é claro: “cuidado com o que você diz”. Isso esfria o debate, cala vozes e transforma tribunal em palco de vaidade.
No fim, quem tem honra de verdade não precisa provar isso em processo. Quem reage a tudo, no fundo, está dando preço à própria honra. E quem faz isso, geralmente, já perdeu a honra faz tempo.