O Ministério do Turismo tornou obrigatório que estabelecimentos hoteleiros utilizem o check-in digital. Funciona assim: em vez de pegar filas e preencher documentos no balcão dos estabelecimentos, os clientes podem usar um sistema online.
O procedimento agiliza a entrada no quarto e desafoga a recepção de hotéis, pousadas, hostels, resorts e similares. A obrigatoriedade da digitalização das informações dos hóspedes passou a valer no dia 20 de abril deste ano.
A promessa do governo é de mais agilidade e dados mais precisos sobre o turismo brasileiro. Fundadora e presidente da rede Blue Tree Hotels, Chieko Aoki, afirma que o uso do sistema diminuiu em 80% o tempo de espera dos clientes na recepção.
Mas a implementação chegou com ressalvas: o portal Gov.br concentra um histórico extenso de reclamações. Além disso, o sistema foi alvo de fake news, que precisaram ser desmentidas pela pasta.
A reportagem reuniu as principais dúvidas dos viajantes.
O QUE É E POR QUE EXISTE?
A Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FNRH) em formato digital é um sistema desenvolvido pelo Ministério do Turismo em parceria com o Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) para substituir a ficha de registro tradicional que os hotéis preenchiam em papel. A plataforma oferece funções de pré-check-in, check-in e check-out. A ideia é agilizar esses procedimentos para hóspedes e estabelecimentos.
Os meios de hospedagem já eram obrigados a enviar informações sobre os clientes desde 2008. O que mudou foi a forma: o envio passou a ser eletrônico. Além disso, o sistema elimina dados incorretos e permite gerar estatísticas em tempo real. A digitalização permite identificar de onde vêm os turistas, tanto nacionais e quanto estrangeiros, e planejar políticas públicas específicas para cada nicho ou local.
O QUE MUDA NA PRÁTICA PARA QUEM VAI SE HOSPEDAR?
Para o viajante, a principal diferença é a possibilidade de fazer o pré-check-in antes de chegar ao hotel. A hospedagem envia ao cliente um link ou QR Code (por e-mail, WhatsApp ou qualquer outro meio) que dá acesso ao canal digital. O hóspede preenche os dados e, ao chegar no local, pode dar entrada no estabelecimento sem ter que enfrentar fila e perder tempo ditando informações ao atendente.
Para grupos grandes, como excursões ou viagens corporativas, o hotel pode disponibilizar QR Codes no saguão, por exemplo, e possibilitar que vários hóspedes preencham a ficha ao mesmo tempo pelo celular.
Crianças e adolescentes menores de 18 anos não precisam de cadastro próprio. Eles devem ser incluídos como dependentes no registro do responsável legal.
No caso dos estrangeiros, o sistema disponibiliza módulos específicos em inglês e espanhol. Turistas internacionais não precisam de CPF ou acesso ao gov.br. Basta inserir dados do passaporte ou documento de identificação internacional.
COMO FUNCIONA O PRÉ-CHECK-IN?
- Faça a reserva normalmente no hotel.
- Aguarde o link ou QR Code enviado pelo estabelecimento.
- Acesse a plataforma pelo link recebido.
- Faça login com sua conta gov.br (método recomendado pelo governo), com certificado digital ou com certificado digital em nuvem.
- Preencha os dados solicitados
- Confirme o envio.
- Na chegada ao hotel, apresente a confirmação e retire a chave.
O sistema dispensa a assinatura física e, segundo o governo, reduz o risco de fraudes de identidade no balcão.
PRECISO TER CONTA NO GOV.BR?
Não necessariamente, mas é o caminho mais recomendado. O acesso à plataforma da FNRH pode ser feito, também, via certificado digital.
O problema é que o gov.br acumula um histórico de reclamações de usuários com dificuldades de acesso. No Reclame Aqui (maior plataforma brasileira de reputação online e solução de conflitos entre consumidores e empresas) o site traz milhares de relatos de dificuldade de acessar e usar a conta.