O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou nesta sexta-feira (8) a transferência do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, prisão conhecida como “Papudinha”. A decisão cumpre mais uma etapa das negociações para uma delação premiada do executivo, que segundo as investigações recebeu propina de Daniel Vorcaro em troca da compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master.
A notícia é d'O Globo. Atualmente Costa está preso na Penitenciária da Papuda, que fica no mesmo complexo. Conforme antecipamos no blog, a transferência já era esperada por investigadores e pela defesa. Isso porque ele é oficial da reserva das Forças Armadas, e a Papudinha é destinada a policiais, autoridades e militares como o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpriu pena ali até migrar provisoriamente para o regime domiciliar por razões de saúde.
O pedido foi apresentado na semana passada pelos advogados Eugênio Aragão e Davi Tangerino, que representam Costa. A defesa argumentou que o ex-presidente do BRB sinalizou interesse em firmar uma colaboração premiada e que a Papuda não permite “discutir eventuais fatos delitivos de forma eficiente” e nem “manusear fontes de prova” durante a negociação do acordo.
Uma das preocupações dos advogados é com o fato de a Papuda ser administrada pelo governo do Distrito Federal, quando se dá como certo que o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) será personagem central de uma eventual, assim como a sucessora, Celina Leão (PP), também é um alvo em potencial. Teme-se, embora isso não seja dito publicamente, que existam escutas ambientais para monitorar as conversas dos detentos.
A Papudinha, por sua vez, é administrada pela Polícia Militar e garantiria uma segurança maior.
Outra alternativa à Papuda seria a Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília. Mas o superintendente da corporação, Alfredo Junqueira, alegou a Mendonça que não havia celas disponíveis na unidade, que já mantém Vorcaro sob custódia. Além da dificuldade logística, essa opção colocaria dois potenciais delatores no mesmo local, o que não é recomendado, já que eles não podem se comunicar.