Não é Blog falando. Não é oposição inventando número. É o próprio Diário Oficial do Estado do Rio Grande do Norte, edição de 30 de maio de 2026, assinado pela governadora Maria de Fátima Bezerra, pelo secretário de Fazenda e pela controladora-geral do estado. Documento oficial, dado oficial, vergonha oficial.
O Relatório de Gestão Fiscal do período de janeiro a abril de 2026 revela o retrato mais preciso da catástrofe fiscal que Fátima Bezerra, a coveira do RN, entrega ao próximo governador.
O número central é brutal: a Despesa Total com Pessoal do Poder Executivo potiguar consumiu 56,12% da Receita Corrente Líquida Ajustada do estado. Em reais, são R$ 11.287.770.856,89 gastos apenas com folha de pagamento de servidores ativos, inativos e pensionistas.
O limite máximo permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal é de 49%.
O RN está 7,12 pontos percentuais acima do teto legal. E não é alerta. Não é limite prudencial. É estouro do teto máximo da LRF, aquele que quando ultrapassado proíbe o estado de fazer concurso, criar cargo, aumentar salário e contratar. O Rio Grande do Norte está nessa situação há anos e a governadora assina o documento confirmando isso como se fosse rotina administrativa.
E é. Para esse governo, virou rotina.
Segundo os dados do Tesouro Nacional reproduzidos pelo G1, o RN lidera o ranking nacional de comprometimento da receita com despesa de pessoal. Enquanto Roraima, Acre e Minas Gerais oscilam perto do limite prudencial de 46,55%, o Rio Grande do Norte está isolado no topo, estorado, sem perspectiva de enquadramento até o fim do mandato.
O resultado prático desse desastre é simples: com 56% da receita indo para a folha, sobra menos de 44% para tudo o mais. Infraestrutura, saúde, segurança, educação, investimento, custeio. Tudo divide um bolo que já nasceu pequeno. É por isso que a Moema Tinoco nunca acaba o serviço. É por isso que o Hospital Metropolitano tem zero por cento de obra. É por isso que as promessas de R$ 44 bilhões nunca existiram de verdade. Não há dinheiro. E o que há vai todo para a folha.
A Dívida Consolidada Líquida do estado chegou a R$ 8.724.011.064,16, equivalente a 43,37% da RCL. São quase R$ 8,8 bilhões de dívida acumulada, enquanto o limite do Senado Federal para essa rubrica é de 200%. Nesse ponto o estado ainda tem margem. O problema é que com a folha estourada ninguém consegue nem respirar para honrar o que deve.
Fátima Bezerra assinou esse relatório. Colocou o nome dela nesse documento. E vai embora em janeiro deixando para o próximo governador uma herança que não se chama legado. Chama-se terra arrasada.