As reclamações contra planos de saúde cresceram 194% nos últimos quatro anos, de acordo com dados do Ministério da Justiça obtidos pela Coluna do Estadão. Entre 2021 e 2025, os registros contra as operadoras saltou de 11.831 para 34.793.
Os números estão registrados na plataforma consumidor.gov, um serviço do governo que permite que o usuário se comunique com as empresas para tentar resolver problemas.
O levantamento foi requerido ao Ministério da Justiça pelo deputado Rodrigo Valadares (PL-SE), que coordena a Frente Parlamentar em Defesa da Ética na Saúde Suplementar do Congresso Nacional.
Assistência médica ao usuário é campeã de críticas
Dentro do universo das reclamações, há quatro categorias que tratam da assistência médica dada ao usuário e que explodiram de 2021 para 2025. Os quatro pontos abaixo ultrapassam os 8.500 registros apenas no ano passado.
Negativa de cobertura total ou parcial: foi de 785 para 4.067 casos entre 2021 e 2025, uma alta de 418%;
Descumprimento de prazo para consultas e exames: saltou de 235 para 1.109 reclamações, alta de 372%;
Recusa ou dificuldade de atendimento emergencial: de 288 para 1.171 casos, um aumento de 306% nas ocorrências;
Risco, dano físico ou mal-estar decorrente do serviço: reclamações foram de 313 casos para 1.162 em 2025, uma alta de 271%.
Para Valadares, é importante defender a CPI das auditorias médicas para investigar a fundo os problemas que recaem sobre o serviço prestado ao consumidor.
“Meu pedido permitiu transformar casos isolados em uma série histórica documentada pelo próprio governo, enquanto o TCU já apontou falhas na atuação regulatória da ANS. É justamente por isso que defendemos a CPI das auditorias médicas para investigar se estratégias empresariais e falhas de regulação passaram a se sobrepor ao direito do consumidor, à livre concorrência e ao acesso digno à saúde”, afirmou o deputado.
Coluna do Estadão