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dolar | J. Souza/Ato Press/Estadão Conteúdo
economia

Comunicação confusa do Copom detona dólar e juros longos e gera crise de credibilidade

O Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil, o Copom, decidiu na última quarta-feira reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando os juros básicos da economia para 14,25% ao ano. A decisão em si não surpreendeu os agentes de mercado, que já precificavam um corte modesto. O que gerou forte turbulência, no entanto, foi a comunicação do BC, que optou por alongar o horizonte relevante de política monetária para justificar o corte, uma mudança interpretada como confusa e prejudicial à credibilidade da instituição.

A reação dos mercados foi imediata e negativa. O dólar disparou 1,3% e fechou em R$ 5,17, com o real registrando o segundo pior desempenho entre as 33 divisas mais negociadas globalmente. Na curva de juros futuros, as taxas de médio e longo prazos subiram de forma expressiva, enquanto as taxas mais curtas recuaram, refletindo a expectativa de uma Selic menor nos próximos meses, mas com risco de alta no futuro. O movimento também foi intensificado pelo tom mais duro do Federal Reserve americano, o Fed, em relação à política monetária dos Estados Unidos.

Economistas e gestores de investimento foram duros na avaliação da comunicação do Copom. Reinaldo Le Grazie, da Panamby Capital, afirmou que o comunicado foi "muito mal elaborado" e que a decisão "pegou bastante mal" no mercado. Outros especialistas apontaram que o BC levou anos para construir credibilidade e a perdeu rapidamente com uma única decisão mal explicada. A crítica central é que o alongamento do horizonte relevante pareceu uma manobra para acomodar o corte, e não uma mudança técnica genuína.

O cenário de fundo que motivou o corte é de aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre de 2026, com setores mais cíclicos voltando a crescer e mercado de trabalho resiliente. No entanto, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram nas últimas divulgações, distanciando-se da meta e superando seu limite superior. As expectativas de inflação para 2026 e 2027 seguem acima da meta, em 5,30% e 4,10% respectivamente, o que torna ainda mais questionável, na visão do mercado, a decisão de afrouxar a política monetária neste momento.

O episódio reacende o debate sobre a independência e a gestão de comunicação do Banco Central sob a atual diretoria. O custo de credibilidade gerado pela decisão pode ter efeitos duradouros sobre as expectativas de inflação e sobre o comportamento do câmbio, tornando mais difícil e mais caro o trabalho de controle de preços nos próximos meses. O mercado agora observa com atenção as próximas declarações de membros do Copom para tentar entender os reais fundamentos da mudança de horizonte e o que ela significa para o ciclo de cortes de juros à frente.

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