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Disputa interna ou retaliação? As teses sobre os ataques a Samir Xaud

Enquanto parte da imprensa atribui o recente noticiário sobre a vida pessoal do presidente da CBF, Samir Xaud, a disputas internas de poder, nos bastidores da entidade ganha força outra tese: a de que a gestão estaria sob ataque de grupos de interesse atingidos no bolso por suas medidas.

Desde que assumiu, em maio de 2024, a gestão de Xaud avançou sobre calendário, arbitragem, fair play financeiro e, sobretudo, o ponto mais sensível do futebol brasileiro: o modelo de negócio em que investidores compram, por décadas, fatias das receitas dos clubes em troca de adiantamentos bilionários.

Nesse modelo, boa parte das decisões estratégicas – como a empresa responsável pela comercialização dos direitos – é definida não pelos clubes, mas por agentes externos ao futebol. Esse arranjo tende a mudar com o fair play financeiro e com o cenário de criação de uma liga única controlada pelos clubes.

Em 6 de abril, a CBF reuniu no Rio de Janeiro os dirigentes dos 40 clubes das Séries A e B e apresentou um estudo comparando o Brasileirão às maiores ligas do mundo. A diretriz era a de uma liga dos clubes, sem investidores ou agentes externos com poder de decisão.

A iniciativa foi apoiada por dirigentes de diferentes clubes, como Luiz Eduardo Baptista (BAP), presidente do Flamengo; Leila Pereira, presidente do Palmeiras; e Pedro Daniel, CEO do Atlético-MG. Mesmo críticos tradicionais da CBF declararam apoio à medida. Mario Celso Petraglia, presidente do Athletico-PR, afirmou: “Todo mundo saiu extremamente satisfeito, tranquilo, seguro e agora, com a intervenção da nova CBF, realmente a liga única vai sair”.

O modelo é o mesmo adotado pelas principais ligas do mundo (Premier League, LaLiga, Bundesliga, MLS e NFL).

“O sentimento geral é de que Xaud virou alvo no momento em que reunimos mais uma vez os clubes para discutir a criação de uma liga unificada. Sabemos que são movimentos que incomodam muitos interesses externos”, disse Ricardo Gluck, presidente da Federação do Pará.

Luciano Hocsman, presidente da Federação Gaúcha de Futebol, emendou: “A perspectiva de uma liga controlada por clubes e federações contraria interesses de grupos acostumados a exercer influência sobre o futebol brasileiro. Há agentes financeiros e empresas que possuem interesses comerciais relevantes e que naturalmente perdem espaço quando as entidades esportivas passam a ter mais autonomia e poder de decisão”.

A disputa entre as diferentes visões sobre o controle da liga de futebol no Brasil promete ainda muitas temporadas.

Andreza Matais - Metrópoles

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