Um levantamento do economista Marcos Mendes, pesquisador associado do Insper, divulgado pelo Poder 360, aponta que o governo Lula anunciou R$ 187,2 bilhões em benefícios diretos neste ano, dos quais R$ 176,7 bilhões, o equivalente a 94%, ficaram fora do limite de crescimento de despesas previsto no arcabouço fiscal.
Segundo o estudo, R$ 118,7 bilhões dessas medidas também ficaram fora da meta de resultado primário, representando 63% do total do pacote. Mendes afirmou que o elevado número de exceções compromete a credibilidade das regras fiscais. “É uma desmoralização total. O volume de exceções é tão grande que a meta perde o sentido”, declarou.
O economista aponta que o governo utiliza mecanismos como empréstimos por meio de bancos públicos, uso de fundos garantidores, redução de impostos e créditos extraordinários para viabilizar gastos sem que eles entrem integralmente nas regras fiscais. Apesar disso, ele ressalta que todas essas medidas impactam a dívida pública.
Atualmente, a dívida bruta do governo está em 80,4% do PIB. Segundo projeções do mercado citadas na reportagem, o índice pode chegar a 83% até o fim deste ano e alcançar 86,5% em 2026.