Em seu vídeo mais longo e pessoal até agora, Michelle Bolsonaro descreveu os detalhes do dia em que Jair Bolsonaro foi transferido da prisão domiciliar para a sede da Polícia Federal, episódio que ela classificou como "um dos dias mais difíceis da nossa vida." Segundo a ex-primeira-dama, a transferência não teria sido resultado de um ato deliberado do marido, mas de uma reação adversa à medicação que ele tomava, que o teria deixado "fora de si", levando-o a mexer na tornozeleira eletrônica. A reportagem não obteve confirmação independente dessa versão até o momento.
Michelle contextualizou o episódio dentro de um período de restrições crescentes: retirada das redes sociais de Bolsonaro, proibição de contato com outros políticos, uso de tornozeleira, limitação de visitas e, posteriormente, a condenação e novas cirurgias. Ela afirmou que, diante desse cenário, o marido lhe pediu que continuasse viajando pelo Brasil levando "uma voz de esperança" aos apoiadores, assumindo publicamente o papel de representante do bolsonarismo enquanto ele permanecia impedido de circular. Ela disse ter cancelado algumas viagens a pedido do próprio Jair, quando ele temia que algo pudesse acontecer na sua ausência.
Foi justamente durante uma dessas viagens autorizadas, ao Ceará, que ocorreu o episódio da tornozeleira. Michelle enfatizou que estava cumprindo uma missão determinada pelo marido, e não agindo por conta própria, e que a transferência para a PF aconteceu enquanto ela estava fora, tornando o dia ainda mais difícil. Ela descreveu a situação como uma dor que "palavras custam a descrever" e afirmou que esse foi o contexto em que parte dos ataques contra ela começou, vindos de influenciadores que estavam nos Estados Unidos e que a acusaram de "não se importar" com o marido.
A ex-primeira-dama respondeu diretamente a essas acusações, afirmando que fazia "exatamente o que o meu galego me pediu para fazer" e questionando como alguém que se diz fiel a Bolsonaro poderia atacar a esposa que cumpria uma missão por ele determinada. Ela revelou que o próprio Jair chegou a escrever uma carta pedindo que os ataques contra ela cessassem, e que, mesmo assim, o grupo continuou agindo. Segundo Michelle, alguns desses influenciadores seguem aparecendo em fotos com Flávio Bolsonaro.
Michelle não citou nomes dos influenciadores que estariam por trás dos ataques, mas afirmou saber "quem são as fontes" das narrativas que circulam na imprensa. Ela negou categoricamente ter pedido desculpas públicas de qualquer pessoa, ter ficado com raiva por querer ser candidata, ou ter agido sem alinhamento com o marido em qualquer decisão política. Ao fim dessa parte do vídeo, ela reafirmou que o marido "está sabendo de tudo" e acompanha a situação que ela enfrenta, deixando implícito que sua fala tem respaldo do próprio Bolsonaro.