A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro usou um vídeo publicado nas redes sociais para reacender o histórico de embates entre Ciro Gomes e a família Bolsonaro, colocando o político cearense no centro da crise interna do PL. Michelle relembrou declarações públicas de Ciro em que o ex-presidenciável teria chamado Jair Bolsonaro de "ladrão de galinhas", "corrupto" e "burro", e afirmou que ele foi "o principal responsável pelo processo que levou à inelegibilidade" do marido. A reportagem solicitou posicionamento de Ciro Gomes e aguarda retorno.
Crédito: vídeo publicado por Michelle Bolsonaro em seu perfil oficial nas redes sociais. Michelle citou ainda uma live realizada durante a pandemia em que Ciro teria incentivado apoiadores a chamar Bolsonaro de "genocida", além de afirmações em que o político teria chamado os filhos do ex-presidente de "ovos de serpentes nas estoides" e "tudo bandido."
A ex-primeira-dama também mencionou que Ciro teria insinuado, à época, que líderes religiosos que prestassem assistência espiritual durante a pandemia deveriam ser presos, e que teria comemorado as condenações relacionadas ao 8 de janeiro, incluindo a de Bolsonaro. A reportagem não verificou de forma independente o contexto integral dessas declarações.
Foi dentro desse histórico que Michelle justificou sua reação pública ao saber que o PL do Ceará estaria negociando uma aliança de primeiro turno com Ciro Gomes, preterindo o senador Eduardo Girão, a quem descreveu como "o único verdadeiro representante das pautas da direita na disputa pelo governo do Ceará." Segundo ela, a aproximação seria ainda mais grave porque estaria sendo feita sem o conhecimento atualizado de Jair Bolsonaro, que à época se encontrava preso, sem acesso direto às articulações internas do partido. Ela afirmou ter sido ela mesma a transmitir à cúpula a última palavra do marido sobre o Ceará.
Michelle revelou ainda que, na semana anterior ao vídeo, Ciro Gomes declarou à revista Veja que Bolsonaro e Lula "são iguais", o que, para ela, reforça a tese de que qualquer aliança com o ex-candidato seria uma questão de tempo até se virar contra a direita. Ela afirmou ter alertado lideranças do partido sobre esse risco e disse que "cada um responderá pelos seus atos." A ex-primeira-dama não citou nominalmente quem, dentro da cúpula, estaria conduzindo as negociações com Ciro.
A fala de Michelle repercutiu nas redes com mais de 90% de menções positivas, segundo ela própria, mas gerou reação dos filhos de Bolsonaro, que publicaram textos críticos de forma coordenada. O episódio expõe uma tensão crescente dentro do bolsonarismo entre uma ala que defende pureza ideológica nas alianças e outra disposta a negociações pragmáticas visando à competitividade eleitoral. A crise interna acontece em momento sensível, com Jair Bolsonaro condenado e impedido de disputar eleições, e o campo da direita ainda em processo de reorganização para 2026.