O Banco de Brasília (BRB) vai ingressar com ação de responsabilidade civil contra os ex-administradores envolvidos no caso do Banco Master. A informação foi confirmada pelo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, durante audiência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal nesta terça-feira (9/6).
“Abrimos apurações para todos os dirigentes, empregados e qualquer um que foi citado dentro do relatório da Machado Meyer ou de apurações que venham a chegar”, disse. Nelson afirmou que o BRB vai “ingressar com ação de responsabilidade civil contra todos os ex-administradores”.
O presidente confirmou que já houve o bloqueio de ações relacionadas ao caso do Banco Master e que o BRB está “com os processos na Justiça ou em corregedorias, no fórum que cabe a cada um”. Na 13ª Vara Cível de Brasília, o BRB já processou o Banco Master e pediu indenização pela venda das carteiras de crédito “podres” ou inexistentes.
Nesse processo, são apontados como réus: Banco Master, Daniel Vorcaro, João Carlos Mansur, Daniel de Faria Jerônimo Leite, Daniel Monteiro, bem como os fundos Bandeirante, Asterope FIP, Victoria FIM, 963 FIM, Siracusa, Borneo, Casamata, Delta e Deneb.
Em relação ao bloqueio de bens de ex-gestores, o atual presidente disse que não cabe ao banco fazer esse pedido. “Não somos nós que solicitamos”, completou.
Questionado pelo presidente da CAE, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), sobre a abertura de uma investigação sobre a transação de seis imóveis, no valor de R$ 146,5 milhões, de supostas propinas pagas pelo Banco Master a Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, Nelson afirmou que esse caso é de exclusividade da Polícia Federal.
Rombo
Durante a audiência no Senado, o presidente do BRB disse que o rombo deixado pelos negócios com o Banco Master é de R$ 8,8 bilhões. Segundo Souza, a nova gestão do banco identificou problemas em uma das carteiras vendidas pelo Master.
“Foi identificado de imediato que R$ 2,6 bilhões, referentes à carteira Tirreno, não existiam, não tinham lastro nem qualquer respaldo”, declarou.
Nelson explicou que a recomposição dos recursos envolve um empréstimo de R$ 6,6 bilhões a ser concedido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), conforme acordo homologado pelo STF entre União, Banco Central e BRB.