A Polícia Federal colocou sob sigilo de 100 anos a lista de visitantes do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, preso no âmbito das investigações que apuram supostas fraudes envolvendo a instituição financeira. A decisão foi informada pela corporação em resposta a um pedido feito com base na Lei de Acesso à Informação (LAI).
Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, a PF justificou a medida alegando proteção de dados pessoais e informações consideradas sensíveis. A corporação argumentou que nomes, horários, documentos e demais registros de visitação pertencem à esfera privada tanto dos visitantes quanto do preso. Mesmo com a possibilidade de divulgação parcial dos dados, a instituição optou por manter todo o conteúdo sob restrição.
A intensa movimentação de advogados na cela de Vorcaro chamou a atenção dos investigadores. De acordo com relatos, cerca de 15 defensores chegaram a ter acesso ao ex-banqueiro, incluindo profissionais ligados a políticos do Centrão e a integrantes do antigo governo do Distrito Federal.
A PF avaliava que a cela havia se tornado um espaço de articulações envolvendo interesses políticos, patrimoniais e negociações relacionadas a um possível acordo de delação premiada. Após a rejeição da primeira proposta de colaboração, o acesso foi restringido e atualmente apenas cinco advogados permanecem autorizados a visitar regularmente o empresário por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça.