O senador Flávio Bolsonaro, do PL, elevou o tom contra o Supremo Tribunal Federal e acusou a Corte de preparar uma interferência nas eleições de outubro em favor do presidente Lula. A declaração foi feita após decisão do ministro Alexandre de Moraes que proibiu Flávio de visitar o pai, Jair Bolsonaro, medida classificada por ele como “política”, “arbitrária”, “ilegal” e “inconstitucional”. Assista:
Na fala, Flávio afirmou que Moraes estaria tentando criar uma narrativa para responsabilizá-lo por eventuais punições impostas ao ex-presidente. Segundo o senador, a decisão teria como objetivo provocar desgaste familiar e político, fazendo parecer que “os filhos só atrapalham” Bolsonaro. Ele também acusou o ministro de agir com crueldade e de não respeitar os vínculos familiares.
O parlamentar criticou ainda decisões monocráticas do STF e disse que Moraes estaria atropelando o Congresso Nacional ao suspender efeitos de leis sem deliberação colegiada. Flávio cobrou reação do Senado e afirmou que os pedidos de impeachment contra ministros do Supremo seguem engavetados, apesar do que ele considera sucessivos crimes de responsabilidade.
Para o senador, a insatisfação com o Supremo deve se refletir diretamente nas urnas. Ele afirmou que grande parte dos eleitores da direita só votará em candidatos ao Senado comprometidos com o impeachment de Alexandre de Moraes. Na avaliação de Flávio, esse movimento não seria antidemocrático, mas consequência das próprias decisões do ministro.
O ponto mais grave da fala foi a acusação de que a Primeira Turma do STF estaria criando precedentes para atuar como uma espécie de “bypass” do Tribunal Superior Eleitoral. Segundo Flávio, casos envolvendo supostos crimes contra a honra durante a campanha, como calúnia, injúria e difamação, poderiam ser levados diretamente ao Supremo, o que abriria espaço para interferência judicial no processo eleitoral.
Flávio também fez um apelo ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, pedindo que ele restabeleça a ordem na Corte. O senador criticou o chamado inquérito das fake news, que classificou como “inquérito do fim do mundo”, e afirmou que a insegurança jurídica gerada por decisões imprevisíveis afasta investimentos e prejudica o desenvolvimento do Brasil.
Ao final, Flávio sustentou que “os com caneta não podem decidir no lugar dos com voto” e acusou integrantes do Supremo de atuarem para manter o país na direção política atual. A fala reforça a estratégia da oposição de transformar a decisão contra ele em uma bandeira eleitoral, associando críticas ao STF, defesa de Bolsonaro, impeachment de ministros e denúncia de suposta interferência em favor de Lula.