A Polícia Federal intimou o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo Lula no Senado, a prestar depoimento sobre suspeitas de recebimento de propina do Banco Master, de Daniel Vorcaro. O interrogatório está marcado para 7 de agosto.
A convocação chega mais de um mês e meio depois da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho de 2026, quando Wagner foi alvo de mandados de busca e apreensão e de uma ordem de restrição de atividades econômicas, por decisão do ministro do STF André Mendonça.
Desde então, o senador vinha driblando um depoimento formal à polícia — apesar de, em entrevistas públicas, já ter admitido praticamente os fatos que agora a PF quer apurar oficialmente.
Ainda no dia da operação, Wagner reconheceu ter se encontrado duas vezes com Daniel Vorcaro e chegou a dizer que achava "ótimo" se o banqueiro fizesse um acordo de delação premiada — tentativa que acabou rejeitada pela PF e pela Procuradoria-Geral da República. Passadas quase seis semanas dessa quase-confissão pública, a Polícia Federal decidiu, agora, ouvi-lo formalmente.
O que a PF investiga
Segundo a corporação, foram identificados elementos que indicam o "recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente", por meio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao banco. Wagner é apontado como "beneficiário central" das vantagens investigadas, atuando como agente público em favor de quem teriam sido estruturados pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais.