O deputado federal Arthur Lira (PP), pré-candidato ao Senado por Alagoas, aumentou a pressão sobre o ex-prefeito de Maceió JHC (PSDB) ao afirmar que a federação União Progressista pode lançar candidatura própria ao governo do estado caso não haja acordo até as convenções partidárias. Em entrevista à Rádio Jovem Pan Maceió, Lira disse esperar que JHC, hoje pré-candidato ao governo, defina em breve se aceita compor com o grupo, mas deixou claro que "não tem dúvida" de que apresentará nome próprio se a aliança não avançar.
Lira relembrou seu histórico de apoio a JHC, incluindo o voto no segundo turno de 2020, mesmo tendo apoiado outro candidato no primeiro turno daquele ano, e destacou que trabalhou para viabilizar o projeto de JHC ao governo desde 2022, quando o então prefeito optou por não disputar e priorizar a gestão de Maceió. Segundo o parlamentar, esse histórico de apoio reforça sua expectativa de reciprocidade agora que o cenário eleitoral se aproxima.
A fala, no entanto, é lida por analistas locais como estratégia de pressão mais do que ameaça concreta. A federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, não possui hoje um nome de peso suficiente para disputar competitivamente o Palácio República dos Palmares, já que suas principais lideranças estão majoritariamente direcionadas a candidaturas de deputado federal e estadual. Mencionar uma candidatura própria funcionaria, assim, como forma de evitar a percepção de dependência total do projeto de JHC.
Apesar da cobrança, Lira evitou citar qualquer nome alternativo para o governo e reiterou que a federação prefere aguardar a definição até o período das convenções. O grupo também tem outras prioridades eleitorais na disputa, como ampliar a bancada federal alagoana, hoje com meta de eleger até quatro ou cinco deputados, e crescer na capital, região em que teve desempenho mais fraco em 2022 comparado ao interior.
O episódio ilustra o jogo de xadrez típico do período pré-eleitoral: ao sinalizar uma alternativa, ainda que pouco competitiva, Lira busca fortalecer sua posição de barganha e acelerar uma resposta definitiva de JHC, mantendo a federação relevante no tabuleiro político alagoano independentemente do desfecho da aliança.