A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de proibir visitas a Jair Bolsonaro por 30 dias, trouxe uma consequência pouco discutida: o impacto direto sobre a própria Michelle Bolsonaro, hoje cotada para disputar o Senado Federal.
Michelle é, na prática, a única pessoa com acesso irrestrito ao ex-presidente. Ela convive na mesma residência, acompanha os cuidados médicos e fisioterapêuticos, e é quem, no dia a dia, dá suporte a Bolsonaro diante da saúde debilitada. Essa proximidade, que antes era vista apenas como gesto de esposa dedicada, ganha agora um peso político e logístico diferente: se Michelle for de fato candidata, precisará se ausentar para agendas de campanha, viagens, sabatinas e compromissos de partido.
O problema é que, com as visitas suspensas — mesmo que temporariamente — e as restrições político-eleitorais mantidas até as eleições, Bolsonaro fica ainda mais isolado sempre que Michelle não estiver em casa. Não há, aparentemente, uma rede substituta de apoio: Flávio está proibido de visitar o pai por 90 dias, e os demais filhos não têm o mesmo grau de convivência diária relatado por assessores.
Isso coloca Michelle diante de um dilema real, não apenas político: cada dia de campanha é, potencialmente, um dia em que o ex-presidente fica sozinho, sem a companhia mais próxima que ele tem hoje. A decisão de Moraes, pensada para blindar o processo eleitoral de influência de Bolsonaro, pode terminar produzindo um efeito lateral significativo — dificultar a candidatura de quem cuida dele, ou obrigar a família a reorganizar toda a rotina doméstica em plena disputa eleitoral.