Em pleno período de campanha eleitoral, Lula resolveu colocar a pauta das mulheres no centro do palco. Sancionou o chamado "Pix Pensão", assinou outras medidas voltadas ao combate à violência feminina e fez questão de aparecer ao lado de Alexandre de Moraes. O roteiro é perfeito para a propaganda. A mensagem também: o governo quer colar sua imagem à defesa das mulheres.
O problema é que a memória existe. É o mesmo Lula que em 2024 ao comentar uma pesquisa sobre o aumento da violência doméstica após jogos de futebol, soltou, entre risos, que "se o cara é corintiano, tudo bem". Agora, o discurso mudou e a pauta virou prioridade justamente quando o calendário eleitoral começa a pesar.
E os números também mostram que o problema aumentou durante o governo Lula. O próprio Ministério da Justiça registrou 1.470 feminicídios em 2025, o maior número desde a criação desse tipo penal, uma média de quatro mulheres assassinadas por dia.
Toda iniciativa para proteger mulheres merece apoio. O que chama atenção é a velocidade com que alguns governos descobrem determinadas causas quando as urnas começam a aparecer no horizonte. Afinal, em Brasília, coincidência e campanha quase nunca andam separadas.