A decisão de Alexandre de Moraes de cobrar explicações de Jair Bolsonaro sobre o vídeo produzido com inteligência artificial para a convenção do PL cria uma situação, no mínimo, contraditória. Bolsonaro afirma que não autorizou o uso de sua imagem, está sem contato com Flávio Bolsonaro por determinação judicial e, ainda assim, acaba sendo chamado a responder por um material produzido por terceiros. Veja no vídeo abaixo:
O caso também levanta outro debate: até onde vai a responsabilidade de quem aparece em um vídeo gerado por inteligência artificial? Querer atribuir a Bolsonaro a autoria ou a responsabilidade por uma peça que, logo nos primeiros segundos, informa ser criada por IA é inverter a lógica do processo penal e ignorar o direito constitucional de qualquer investigado de não produzir prova contra si.
Mais do que o vídeo em si, o episódio reforça uma sensação que cresce entre os eleitores da direita: quando o alvo é Bolsonaro, as decisões saem em velocidade máxima. Quando envolve a esquerda, os processos parecem seguir outro ritmo. Se esse entendimento prevalecer, qualquer candidato poderá ser responsabilizado por conteúdos produzidos por terceiros, abrindo um precedente perigoso para a disputa eleitoral.