A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro enfrenta uma barreira significativa dentro do próprio grupo político que ajudou a consolidar. Dados da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quinta-feira, 2, mostram que ela não conta com a plena confiança do “bolsonarismo raiz”, ficando consideravelmente atrás dos filhos do ex-presidente, Flávio e Eduardo Bolsonaro, no quesito lealdade e preferência do eleitorado conservador.
O cenário expõe as tensões que “tiram o sono de Flávio e Michelle”, evidenciando o cabo de guerra velado pela liderança e pela sucessão da direita na ausência de Jair Bolsonaro.
Quando os eleitores de Jair Bolsonaro são questionados sobre o nível de lealdade dos principais expoentes da direita ao ex-presidente, Michelle aparece na abaixo do núcleo familiar:
Flávio Bolsonaro: Lidera o ranking com 79% de “lealdade total” e apenas 4% de “nenhuma lealdade”
Eduardo Bolsonaro: Aparece logo em seguida, com 72% de “lealdade total” e 6% de “nenhuma lealdade”
Michelle Bolsonaro: Fica atrás até de nomes de fora da família, como o deputado Nikolas Ferreira (67% de lealdade total) e o governador Tarcísio de Freitas (58%). Michelle soma 54% de lealdade total, registrando a maior rejeição interna do clã, com 15% dos eleitores fiéis a Bolsonaro afirmando que ela tem “nenhuma lealdade” ao marido.
Em um confronto direto com Flávio Bolsonaro sobre quem é mais fiel às orientações políticas do ex-presidente entre a população geral, o senador vence por ampla margem: 38,3% o consideram mais fiel, contra apenas 15,5% que apontam a ex-primeira-dama.
Rejeição interna e movimentos polêmicos
O desgaste de Michelle com o eleitorado histórico da direita bolsonarista se acentuou após a divulgação do vídeo em que ela conta ter sido humilhada por Flávio.
Um exemplo claro mapeado pela AtlasIntel foi a reação à publicação.
Embora o resultado geral da população tenha sido favorável (51% concordaram com a postagem), 65,6% dos eleitores de Jair Bolsonaro discordaram veementemente da decisão de Michelle de publicar o vídeo, contra apenas 26,5% que a apoiaram.
Esse dado revela um desalinhamento entre a estratégia de comunicação da ex-primeira-dama e as expectativas do eleitorado ideológico da base.
Flávio dispara na preferência de sucessão para 2026 entre os eleitores de seu pai
O reflexo direto dessa desconfiança se traduz no debate sucessório para a eleição presidencial de 2026. Em um cenário de escolha direta entre os dois Flávio e Michelle, testado na AtlasIntel, os eleitores são categóricos: 81,9% preferem Flávio Bolsonaro como o candidato da direita, enquanto Michelle atrai apenas 14,7% das intenções de voto.
A distância se aprofunda quando o espectro é ampliado para todo o eleitorado de direita na busca pelo melhor nome para liderar as pautas conservadoras nos próximos anos.
Coluna do Estadão