O anúncio da troca de marqueteiro da campanha de Flávio Bolsonaroaconteceu há pouco, mas a saída de Eduardo Fischer estava sendo tratada há pelo menos duas semanas pelo candidato e pelo PL.
Segundo a coluna de Lauro Jardim, no O Globo, havia um descontentamento de aliados próximos de Flávio com o trabalho de Fischer. Valdemar Costa Neto também era bastante crítico. A avaliação era de que as peças de campanha eram fracas, as respostas aos ataques eram lentas e sem pegada e que, nestes dois meses em que comandou a comunicação da campanha, Fischer não teria conseguido imprimir uma marca forte no Zero Um.
A crise mais recente se deu na preparação da convenção nacional do PL, que ocorreu no sábado. Fischer, segundo aliados de Flávio, queria que o cenário fosse todo azul.
A ideia era mostrar que o Zero Um integrava a "onda azul" que está elegendo candidatos de direita e extrema-direita na América do Sul.
Uma intervenção de pessoas próximas do candidato, mudou o script planejado. E as cores que eram as mais visíveis no evento de sábado eram o verde e o amarelo. Diz um assessor de Flávio:
— O verde e o amarelo estão consagrados como as cores da direita. Por que inventar numa hora dessas?
Pessoas próximas a Fischer relatam que ele assumiu a campanha "com o avião em queda", ou seja, em plena crise do Dark Horse. E que o publicitário teve que "enfrentar crises diárias" nestes dois meses. E rebatem a crítica de aliados de Flávio em relação à convenção. Uma delas afirma:
— A convenção foi um sucesso, até agora é assunto em todas as mídias.
Duda Lima, que fez a campanha de Jair Bolsonaro em 2022 e que sempre foi o preferido de Valdemar Costa Neto, foi procurado pela primeira vez para assumir o posto de marqueteiro há duas semanas. Ontem, teve uma conversa definitiva. Fischer também se reuniu ontem à noite com o ex-PM Nelson Santini, que atua como tesoureiro da campanha.
E o martelo foi batido: Fischer estava fora e Duda dentro.