A Justiça Federal de Manhattan, nos Estados Unidos, autorizou nesta quarta-feira (8) o pagamento de uma indenização de US$ 5,8 milhões do presidente do país, Donald Trump, à escritora E. Jean Carroll. O republicano foi considerado culpado por abuso sexual e difamação em um processo na esfera cível em 2023.
A notícia é do G1. Carroll, ex-colunista de conselhos da revista Elle, diz ter sido estuprada por Trump em um provador de uma loja de departamentos em Nova York. Trump havia depositado a quantia em uma conta judicial enquanto recorria da decisão. Em 29 de junho, entretanto, a Suprema Corte dos EUA rejeitou a análise do recurso.
Em um documento apresentado à Justiça Federal de Manhattan na noite da última terça-feira (7), a defesa do presidente argumentou que Carroll deveria esperar até que a Suprema Corte avaliasse um novo pedido para reverter a condenação. A indenização original era de US$ 5 milhões e chegou a cerca de US$ 5,8 milhões com a incidência de juros.
Segundo a defesa, Trump estaria sofrendo um dano irreparável e uma "perda inestimável" caso Carroll cumprisse sua intenção declarada de doar o dinheiro. Isso porque, depois de distribuídos os recursos, seria improvável recuperá-los caso a decisão fosse revertida.
Os advogados também afirmaram que permitir o pagamento antes de uma eventual reanálise do caso pela Suprema Corte poderia "abalar a confiança pública em um processo judicial ordenado", em um momento em que, segundo eles, apoiadores de Trump e alguns críticos manifestam preocupação com uma suposta "instrumentalização política do sistema de Justiça".
"Carroll esperou mais de 20 anos para acusar falsamente Donald Trump, a quem ela se opõe politicamente, até depois que ele se tornou o 45º presidente, quando ela poderia maximizar o prejuízo político a ele e lucrar para si mesma", escreveram os advogados.