O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou que os juízes que atuam em casos envolvendo o crime organizado realizam uma atividade de risco e que 100 magistrados estão ameaçados, sendo que 79 deles já contam com medidas protetivas.
A fala de Fachin foi feita nessa quarta-feira (8/7), durante um evento do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) em que foram criadas novas varas especializadas em organização criminosa e lavagem de dinheiro.
“São magistrados que, não raro, tem maior exposição e que exercem a sua jurisdição sobre esses interesses diretamente ente conectados às organizações criminosas”, afirmou Fachin, “E não apenas porque decretam prisões ou proferem condenações, mas também porque atingem os pontos de vulnerabilidade econômica das organizações criminosas, bloqueando o patrimônio, determinando apreensão de bens, autorizando medidas investigativas, interferindo como deve ser mesmo em fluxos financeiros e bem como as decisões sobre lideranças encarceradas, o que obviamente traduz numa atividade de risco”.
O presidente do STF ainda fez um alerta para cuidados com as informações acerca dos magistrados, como ataques cibernéticos, exposição indevida de dados pessoais, campanhas coordenadas de intimidação e perseguição digital.
Fachin afirmou durante discurso que esse é “um conjunto de ações que merece a nossa atenção, especialmente para evitar que isso tenha um efeito sistêmico sobre a independência judicial. E nos dias atuais é fundamental que estejamos presentes”.