Enquanto a capital federal segue tomada pelas denúncias envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente investigado em três inquéritos por suspeita de tráfico de influência no âmbito da Operação Sem Desconto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por manter a rotina de campanha como se nada estivesse acontecendo. Nesta quinta-feira (20/8), ele cumpriu agenda em Natal (RN), sem conceder entrevistas à imprensa e sem responder a uma única pergunta sobre o caso que atormenta o Palácio do Planalto.
A viagem ao Rio Grande do Norte marcou o primeiro ato político de Lula após o lançamento oficial de sua candidatura à reeleição, ocorrido no último domingo (16/8), em São Bernardo do Campo. Pela manhã, o presidente cumpriu agenda institucional voltada a parcerias entre o governo federal e o estado; à noite, participou de ato político ao lado da governadora Fátima Bezerra (PT), do candidato ao governo Cadu Xavier e dos candidatos ao Senado Samanda Alves (PT) e Rafael Mota (PDT), no estacionamento da Arena das Dunas.
Em nenhum momento da passagem por Natal o petista se dispôs a comentar publicamente o avanço das investigações contra o filho, que na mesma semana levaram a PGR a pedir ao ministro André Mendonça, do STF, o envio dos inquéritos à primeira instância. Também não houve espaço para perguntas sobre o caso Marcola, do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana, apontado por pesquisas internas do próprio PT como uma ameaça ainda maior à imagem do presidente do que o episódio envolvendo Lulinha.
Sob o discurso oficial de "agenda de rua" e proximidade com bases históricas do partido, o giro presidencial pelo Nordeste seguiu blindado de qualquer contato mais direto com a imprensa, contando com a cobertura amistosa de veículos alinhados ao governo para garantir o tom festivo do evento — enquanto, em Brasília, escala a crise em torno do filho do presidente.