O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Polícia Federal investigue o vazamento de informações sigilosas do inquérito que apura suspeitas de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT).
Na decisão, Mendonça deixou claro que a apuração deve se concentrar em identificar quem tinha a obrigação legal de manter os documentos sob sigilo — e não os jornalistas que tiveram acesso ao material. O ministro reforçou que a investigação precisa respeitar o sigilo da fonte jornalística, um dos pilares da liberdade de imprensa.
Segundo o texto da decisão, jornalistas "com diploma ou não" não podem ter o sigilo da fonte violado nem podem ser alvo de apuração criminal apenas por divulgar informações recebidas de terceiros.
Recado a colegas do Supremo
A determinação de Mendonça foi interpretada por comentaristas como um recado direto a outros ministros do STF, em especial Alexandre de Moraes e Flávio Dino, que nos últimos meses têm defendido publicamente a retomada da exigência de diploma para o exercício do jornalismo — pauta que, segundo críticos, atingiria menos os chamados "blogueiros" e mais os grandes veículos de comunicação.
Ao mencionar expressamente que a proteção à fonte se aplica a jornalistas "com diploma ou não", Mendonça teria sinalizado divergência com a linha adotada por Moraes e Dino, reforçando que a liberdade de imprensa e o sigilo da fonte não devem ser tratados como moeda de troca política, tampouco restringidos por critérios formais de credenciamento profissional.
Contexto: vazamentos favorecem defesa de Lulinha
A decisão do ministro também abre espaço para questionar outros vazamentos que, segundo apontado durante o debate, teriam beneficiado a defesa de Lulinha. Chamou atenção o fato de que advogados do empresário mantiveram reuniões com o Ministério da Justiça, com a direção-geral da Polícia Federal e com o Palácio do Planalto — encontros que, para analistas, evidenciam uma série de vazamentos direcionados tanto à imprensa quanto à própria defesa, e que também precisariam ser apurados com o mesmo rigor.
Há ainda questionamentos sobre o momento em que o presidente Lula teria sido informado sobre o caso envolvendo Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola — segundo relatos, cerca de 15 dias antes de o escândalo estourar publicamente, o que teria motivado a exoneração do então chefe de gabinete e sua realocação para a campanha eleitoral, embora o desgaste político tenha impedido sua permanência até ali.