O Blog do BG revelou com exclusividade à decisão judicial que autorizou a nova etapa da Operação Curari Domi, batizada de “Oxigênio Financeiro”, conduzida pelo GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), vinculado ao Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), para investigar um suposto esquema de fraude envolvendo serviços de home care pagos com recursos públicos.
O prejuízo estimado passa de R$ 37 milhões em recursos públicos desviados do Estado e do Município de Natal. A investigação cita Gilsuly Ferreira de Moura e Rayanne Moura Dantas como integrantes do núcleo empresarial suspeito de comandar o esquema. As empresas Dolce Vitta, Tree of Life e Evolution Home Care são apontadas pelo como integrantes de um mesmo conglomerado pelo GAECO.
Já a Evolution Home Care, segundo o MPRN, teria sido registrada inicialmente em nome de uma empregada doméstica, mas depois transferida para Rayanne Moura, operação que indicaria o uso de laranja com a intenção de ocultar o verdadeiro controle da empresa.
A investigação também cita negócios como Infinity Holding, Clínica Médica Atend Já, Salão de Beleza Vitta Color e Cafeteria Mr. Black, que teriam sido utilizados, segundo a apuração, em operações relacionadas à lavagem de dinheiro.
Foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. Durante a operação, foram apreendidos documentos, dinheiro em espécie sem comprovação de origem, joias, celulares e computadores.
O MPRN aponta que o grupo utilizava laudos médicos superdimensionados para obter decisões judiciais de urgência determinando o custeio de home care. Depois, empresas ligadas ao mesmo núcleo familiar apresentavam orçamentos previamente combinados, simulando uma disputa de preços e direcionando os recursos públicos para o próprio grupo.
A Operação Curari Domi teve sua primeira fase deflagrada em abril de 2025. Agora, o GAECO busca avançar sobre outros integrantes e estruturas que, segundo a investigação, dariam suporte ao suposto esquema.