O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira (28) que, em sua gestão, a corporação investiga "sem proteger ou perseguir" ninguém e trabalha "livre de qualquer viés político". A declaração foi dada durante formatura de novos agentes da PF em Brasília, um dia depois de o presidente Lula acusar publicamente a instituição de vazar informações sobre a investigação que envolve seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Na sabatina de presidenciáveis da TV Globo, na quinta-feira (27), Lula classificou as suspeitas contra Lulinha como "ilações, ilações e ilações tiradas de telefonemas" e declarou que "a Polícia Federal está vazando coisas" para a imprensa, em referência a informações extraídas de conversas obtidas no celular da lobista Roberta Luchsinger. O presidente já vinha reclamando de vazamentos anteriormente: em entrevista à Record, no domingo (23), afirmou que esse tipo de prática "desequilibra o jogo" político, e, em conversa com o advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, pediu apuração de vazamentos considerados "seletivos" pela defesa.
Sem citar diretamente a fala do presidente, Andrei Rodrigues defendeu a atuação da corporação: "Hoje temos uma polícia que atua com autonomia, guiada pela Constituição e pelas leis, pela responsabilidade institucional e compromisso com a justiça e a sociedade. Tenho total tranquilidade em afirmar, sem rodeios, que nesta gestão trabalhamos com transparência e foco na missão institucional, sem proteger ou perseguir, com atuação vigorosa e intransigente no combate ao crime organizado." Completou dizendo que "a atuação técnica, imparcial, livre de qualquer viés político, é o que nos permite defender nossa instituição de qualquer ataque, não importa de onde venha".
A fala do diretor-geral ocorre em um momento de desgaste na relação entre a cúpula da PF e o ministro André Mendonça, do STF, relator de dois inquéritos com alto potencial de desgaste político e eleitoral — os casos Dark Horse/Master e INSS/Lulinha. O pano de fundo do atrito envolve tanto o ritmo das investigações quanto as denúncias de vazamentos, em meio a acusações mútuas entre a Polícia Federal e o tribunal. Diante da tensão, Lula determinou que Andrei Rodrigues procure Mendonça para reduzir o desgaste, encontro que será mediado pelo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva.
Vale lembrar que o advogado de Lulinha já havia formalizado queixas sobre o tema tanto ao ministro da Justiça quanto ao próprio diretor-geral da PF, cobrando informações sobre a apuração interna dos vazamentos — atualmente sob análise da Corregedoria-Geral da corporação.
Com informações do G1.