A empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal sob suspeita de tráfico de influência, afirmou ter pedido a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apoio para viabilizar uma proposta de fornecimento de canabidiol ao governo federal. Ela nega, no entanto, que tenha feito pagamentos em troca desse suporte.
Roberta é alvo de três inquéritos da PF ao lado de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. A suspeita das investigações é que os dois tenham atuado para favorecer empresas junto a órgãos federais — até o momento, porém, não há indícios de que algum contrato tenha sido efetivamente assinado com o poder público.
Em um dos inquéritos, a PF apura conversas de Roberta com Marcola sobre uma proposta de fornecimento de canabidiol ao Ministério da Saúde. Em maio de 2024, a empresária enviou a Marcola uma proposta que previa dispensa de licitação para a World Cannabis, empresa de Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS". Roberta afirma que recebeu R$ 1,5 milhão do empresário, mas alega não saber, na época, que ele desviava dinheiro de aposentadorias do INSS.
A investigação também apura pagamentos de R$ 249 mil feitos por Roberta a Marcola — valores usados para custear contas do ex-chefe de gabinete. O próprio Marcola já havia se manifestado anteriormente, classificando o valor como um "empréstimo pessoal" já quitado.
Em sua primeira manifestação direta desde que o caso veio à público — feita por mensagem ao g1 nesta quinta-feira (27) —, Roberta reconheceu ter buscado apoio de Marcola, mas atribuiu a atitude a uma "ingenuidade". "Ter apoio [era o objetivo das conversas com Marcola]. Talvez erro meu de pedir apoio. Ingenuidade. Bobeira", disse.
Sobre os pagamentos, a empresária foi categórica: "Não fiz pagamentos ao Marcola. Eu ajudei um amigo. Óbvio, eu deveria ter sido atenta ao fato de ser ele chefe de gabinete do presidente. Mas é covardia 'linkar' uma coisa na outra. Marcola é meu amigo."
Roberta também afirmou que sua amizade com Lulinha é anterior à chegada de Lula à Presidência, buscando descaracterizar qualquer relação entre a proximidade pessoal e eventual tráfico de influência junto ao governo federal.
A defesa da empresária já pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a retirada do sigilo das investigações. Roberta e Lulinha respondem, juntos, a três inquéritos sob relatoria de ministros da Corte.